quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Mineroduto Deixa Rastros de Destruição e Morte



Tamanduá Mirin encontrado morto em trajeto de mineroduto
      
        Em 18/10, os representantes do CODEMA de Santo Antônio do Grama, os Técnicos Edney Ventura Zinato, Edson Silveira Pereira o mateiro João Lucindo da Cruz (João Helvêncio), e o técnico e Ambientalista Marcelo Polesca Teixeira vistoriaram as obras do Mineroduto Minas Rio e constataram inúmeros problemas ambientais inclusive morte de animal em extinção. Um Tamanduá Mirim foi encontrado morto num brejo que é APP (Área de Proteção Permanente ). Esta área está lotada de terra que desceu sem controle do bota-fora do Mineroduto Minas-Rio, causando enorme degradação ambiental,  com inúmeros caminhões de terra que atingiram o córrego da Fazenda  Vitória, na propriedade de José Braguinha.  Esta área foi vistoriada pela ONG Puro Verde em 02/07/2008 e na ocasião foi constatada esta degradação e que pelo visto só piorou, ou seja, configura o descaso com a ONG, com a Polícia do Meio Ambiente e até com o Ministério Público, já que no ano passado a denúncia foi encaminhada.
         Para Marcelo Polesca Teixeira, no momento, as empresas contratadas só estão preocupadas com o prazo de entrega da obra que é ano que vem. “Esta é a prioridade deste empreendimento (Minas-Rio), o que importa é o minério sendo embarcado e se não houver uma mudança de atitude, nós que trabalhamos a conscientização sobre obras sustentáveis e com preservação ambiental, ficaremos a ver navios”.
         O Médico Veterinário Dr. Frederico Soares relatou que animais silvestres em extinção são como joias raras,  “a morte do Tamanduá Mirim foi uma grande perda, pois além de estar em extinção é considerado um gigante comedor de formigas”. Disse também que além da degradação ambiental causada pelo Mineroduto Minas-Rio, "existe a hipótese com grande possibilidade do Tamanduá Mirim ter sido atropelado pelos caminhões das empresas terceirizadas já que o volume de movimentação de terra é grandioso”.
Sua famosa tática de defesa, o abraço do Tamanduá, não foi suficiente contra a ganância e truculência das mineradoras.



Fonte:  http://www.unidadenoticias.com.br/site/index/principal/noticia.asp?id_texto=638048

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Deputados propõem unificar luta contra minerodutos

  Deputados propõem unificar luta contra minerodutos

Em meio a enxurrada de críticas contra mineradoras, debate da Comissão das Águas tenta organizar resistência

Representantes de entidades em defesa do meio ambiente e moradores das áreas atingidas participaram ativamente da audiência pública
Representantes de entidades em defesa do meio ambiente e moradores das áreas atingidas participaram ativamente da audiência pública - Foto: Willian Dias

Estabelecer uma estratégia de luta unificada, com a mobilização da sociedade civil, contra a ação predatória das mineradoras no Estado. Esse foi o principal objetivo da audiência pública realizada nesta segunda-feira (26/8/13) pela Comissão Extraordinária das Águas da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). O Auditório ficou lotado com a presença maciça de representantes de entidades em defesa do meio ambiente e moradores das áreas atingidas. Foram afixados cartazes e faixas de protesto contra os minerodutos, tema central do debate, e um boneco simbolizando a morte, com os nomes de várias empresas mineradoras, atraía a atenção dos presentes.

Assembleia quer suspensão de minerodutos

“Minas Gerais virou uma Casa da Mãe Joana quando o assunto é disciplinar a ação das mineradoras. O Estado faz vista grossa, o Ministério Público vem perdendo as ações que propõe, pois falta uma reação mais coesa e enérgica da sociedade. A resistência, até o momento, é local, não unificada, enquanto o problema é estadual”, ressaltou o deputado Rogério Correia (PT).

O parlamentar abriu a reunião traçando um panorama das discussões já promovidas pela Assembleia em torno do tema, lembrando que, apesar disso, as irregularidades são a regra e não a exceção. “Os mineiros precisam entender que o que afeta cidades como Conceição do Mato Dentro afeta também o restante do Estado. É preciso unidade de ação”, completou. Rogério Correia lembrou que já houve tentativas de instalar uma CPI da Mineração na Casa, mas não foram obtidas as 26 assinaturas necessárias, quadro que poderia mudar pela pressão popular.

O envolvimento da Comissão das Águas se deve ao fato de os minerodutos utilizarem grande quantidade de água extraída dos mananciais de Minas para o transporte do minério rumo aos portos do litoral, por onde é exportado. O debate foi coordenado pelo deputado Almir Paraca (PT), presidente da comissão, que destacou o papel das redes sociais na mobilização da sociedade na discussão desse e de outros temas importantes.

Os deputados relembraram o esforço da ALMG para alertar a sociedade sobre as implicações do assunto
Os deputados relembraram o esforço da ALMG para alertar a sociedade sobre as implicações do assunto - Foto: Willian Dias

Na mesma linha, o deputado Pompílio Canavez (PT) lembrou o papel fundamental das discussões promovidas pela Assembleia para alertar a população sobre todas as implicações do assunto. “Muita gente não sabe dessa agressão ao meio ambiente em Minas Gerais. Conhecer o assunto profundamente é importante para estabelecermos uma estratégia de mobilização da opinião pública”, apontou.

“Tudo é feito pela lógica da exportação dos minérios, como se a agricultura também não fosse atividade econômica. E a situação do Norte de Minas é ainda pior, pois falta água até para o abastecimento humano. Como então é possível pensar em usar água nos minerodutos?”, alertou o deputado federal Padre João (PT-MG). “Mesmo sendo da base do Governo Federal, reconheço que há falhas do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e do DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral) com relação à fiscalização dos grandes empreendimentos. Esses órgãos não podem ficar reféns das empresas”, destacou o parlamentar, lembrando a importância de todos acompanharem atentamente, no Congresso Nacional, a tramitação do projeto de lei que institui o novo marco regulatório para a mineração. "Os direitos da comunidade devem prevalecer sobre o uso dos recursos hídricos", pontuou.

Mineradoras são alvo de críticas
Marcelo Machado citou a preservação dos mananciais de água feita em Nova Iorque (EUA) como bom exemplo
Marcelo Machado citou a preservação dos mananciais de água feita em Nova Iorque (EUA) como bom exemplo - Foto: Willian Dias

As críticas à ação predatória das mineradoras, que superam de longe os benefícios sociais gerados pelo desenvolvimento econômico, foram uma unanimidade nos pronunciamentos dos convidados da audiência pública. Um dos mais contundentes foi dado por Marcelo Mata Machado Leite Pereira, promotor em Conceição do Mato Dentro (Região Central do Estado), um dos municípios mineiros mais afetados pelos empreendimentos minerários.

“Já era hora de nos perguntarmos a quem interessa o sucateamento das estruturas fiscalizadoras do Estado. Quem paga o preço disso são os cidadãos. O desenvolvimento econômico só se justifica se trouxer desenvolvimento humano.

Recebo diariamente em meu gabinete atingidos pelo processo minerário, que chegam arrasados. Nosso Estado precisa repensar o seu modelo de desenvolvimento. Afinal, a ONU já apontou que nossas próximas guerras vão ser pela água”, afirmou Marcelo Machado, arrancando aplausos do público. O promotor citou o exemplo de Nova Iorque (EUA), em que os mananciais de água são considerados áreas de segurança nacional, protegidos pelas Forças Armadas. “Por aqui, o mineroduto do Projeto Minas-Rio foi licenciado antes mesmo do empreendimento. É um absurdo!”, completou.

O sucateamento a que o promotor se referiu ficou evidenciado no pronunciamento de Nicolaas de Knegt, especialista em recursos minerais do DNPM, que admitiu a falta de infraestrutura e de independência do órgão para fazer frente a pressões econômicas cada vez maiores. “Os minerodutos são a ponta do iceberg de uma administração que falha ao entregar para a população o que ela quer. Todo mundo sabe que não se deve devastar, mas falta uma eficiência operacional para fiscalizar. É incipiente o diálogo entre os órgãos de fiscalização e faltam regras claras. Sugestões técnicas raramente são acatadas”, lamentou.

“O buraco é bem maior do que aqueles que as mineradoras fazem, e vai muito além de qualquer política de responsabilidade social das mineradoras. Na hora de licenciar, a mineração é considerada de utilidade pública, mas a produção de alimentos não é. Nós não comemos minério”, criticou Eduardo Nascimento, assessor de meio ambiente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Minas Gerais (Fetaemg). “Como conselheiro de Política Ambiental há 13 anos, não tenho dúvidas em afirmar que a legislação brasileira foi feita para licenciar, não para proteger. É uma baboseira essa crença de que a vocação de Minas é a mineração. Outros valores precisam entrar nessa avaliação”, destacou.

Mineroduto é comparado a transposição de águas

Participantes criticaram ações de mineradoras e denunciaram supostas irregularidades
Participantes criticaram ações de mineradoras e denunciaram supostas irregularidades - Foto: Willian Dias

A instalação de minerodutos foi comparada por Gustavo Tostes Gazzinelli, representante do Movimento pelas Serras e Águas de Minas, a uma transposição das águas de Minas, lembrando que o governador Antonio Anastasia e seu antecessor, o hoje senador Aécio Neves (PSDB-MG), se posicionaram radicalmente contra a transposição do Rio São Francisco. “Mineroduto é transposição de águas, e água de alta qualidade. A simples proposta de instalação de minerodutos é a prova de que o volume de produção alcançou um limite”, afirmou.

Já Luciano Arcanjo de Melo, presidente do Grupo Ambiental de Santa Bárbara, denunciou diversas irregularidades nas autorizações para operações da Samarco naquela cidade, mais especificamente nos distritos de Barra Feliz, Brumal e Conceição do Rio Acima. Tais irregularidades, enumeradas por meio de uma apresentação com riqueza de fotografias e informações, teriam inclusive contado com a proteção do Executivo e Legislativo municipais e representariam risco de vida para os moradores de áreas ribeirinhas. “É muito difícil viver em uma cidade e em um Estado que não têm lei”, desabafou.

As críticas à ação das mineradoras foram endossadas por Denise de Castro Pereira, professora e pesquisadora do Laboratório de Cenários Socioambientais da PUC Minas. “Há uma série de equívocos nas parcerias entre o Estado e essas empresas, com danos gravíssimos ao meio ambiente. No caso da Bacia do Rio do Peixe, por exemplo, não vejo outra alternativa senão a paralisação imediata de todos os licenciamentos. É preciso uma mudança de eixo, pautando as decisões com mais senso ético pela preservação da vida”, receitou.

“Se as empresas têm dinheiro para jogar água potável no mar, têm que ter dinheiro para levar essa água de volta para as nascentes”, cobrou Juseleno Anacleto da Silva, coordenador-geral da Federação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar (Fetraf-Minas). As críticas dos demais convidados seguiram nesta mesma linha, cobrando mais equilíbrio entre desenvolvimento econômico e preservação do meio ambiente, pensando nas próximas gerações.

Órgãos ambientais rebatem críticas
Jeane Dantas de Carvalho disse que a Semad está aberta às denúncias dos cidadãos
Jeane Dantas de Carvalho disse que a Semad está aberta às denúncias dos cidadãos - Foto: Willian Dias
Em meio à torrente de críticas à ação das mineradoras no Estado, facilitadas, segundo a maioria das opiniões, pela inércia dos órgãos fiscalizadores, coube aos representantes da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) e do Ibama dar as respostas.

“A legislação federal sobre o tema prevê o uso múltiplo das águas, desde que respeitada a prioridade para consumo humano e animal. As solicitações de outorgas são alvo de uma análise criteriosa dentro da disponibilidade hídrica. Os pedidos são feitos para captação, e não para minerodutos, e nosso trabalho é feito dentro desse critério. Se há problemas, estamos abertos a receber as denúncias dos cidadãos”, justificou Jeane Dantas de Carvalho, diretora de Pesquisa, Desenvolvimento e Monitoramento das Águas da Semad.

Já Ubaldina Maria da Costa Isaac, coordenadora do Núcleo de Licenciamento do Ibama em Minas Gerais, alvo principal das críticas dos presentes, lembrou que há apenas dois minerodutos instalados atualmente em Minas Gerais, com outros três em processo de implantação. Segundo ela, um desses últimos está inclusive suspenso e outro ainda em fase de conclusão dos estudos, sendo que a participação do Ibama no processo se deve ao empreendimento envolver mais de um Estado. “Vale lembrar que os órgãos do Estado são consultados, dão seu aval e os minerodutos têm o mesmo impacto ao meio ambiente de outros meios de transporte de minério, como o ferroviário. O problema maior é o uso da água. Sei que há deficiências nos licenciamentos, mas estamos nos aprimorando”, reconheceu.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Assembleia Legislativa de MG promoverá audiência pública para discutir sobre impactos de minerodutos nas águas

Audiência Pública discutirá os impactos sociais e ambientais da implantação de minerodutos em MG.

Até então, Minas apresenta 8 projetos de minerodutos de grande porte, ligando minas até os portos. São nossos minérios e águas sendo saqueados por grupos privados deixando para trás somente um rastro de miséria e destruição social e ambiental.

Estarão presentes representantes de organizações que resistem à essa afronta em diferentes regiões do estado. É a hora de denunciarmos os impactos de minerodutos a nível estadual em Minas!

Some forças nesta luta! Defenda nossas águas e lute pela soberania frente a mineração!


terça-feira, 20 de agosto de 2013

Campanha Pelas Águas promoverá debate sobre APA do São Bartolomeu

A conservação da microbacia do Ribeirão São Bartolomeu vem sendo alvo de muita discussão nos últimos tempos por se tratar da principal fonte hídrica do município de Viçosa. Esse importante curso d’água é sozinho responsável por todo o abastecimento da UFV e cerca de metade do abastecimento de água da cidade. Os frequentes alertas do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) quanto aos níveis de água do manancial e as sucessivas pausas no abastecimento tem tornado o debate ainda mais caloroso.
Nas últimas décadas a região tem sido bastante degradada pela ocupação irregular e pela pecuária. Além disso, a microbacia e, consequentemente, o abastecimento de água da cidade estão ameaçados pelo projeto de mineroduto da empresa Ferrous Resources, que planeja cortar a área. Segundo estudo da Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB) serão mais de 60 nascentes atingidas somente na área da bacia circunscrita nos limites do município de Viçosa. Isso demonstra a necessidade de urgência na tomada de ações por parte do poder público quanto ao uso e ocupação do solo visando a proteção das nascentes e a garantia da sobrevivência do manancial.


A APA do São Bartolomeu é uma reivindicação antiga de Viçosa, iniciada na década de 90, pelo movimento SOS São Bartolomeu. Infelizmente, a força política e econômica das construtoras e especuladores imobiliários têm forçado derrotas àqueles que lutam e sonham por uma cidade socialmente justa e ambientalmente responsável. Recentemente, o poder executivo enviou projeto de lei intentando a urbanização do Paraíso, projeto de lei este que causou muita polêmica e foi rejeitado pelos moradores da região.
Diante do cenário de ameaças a uma área de extrema importância para o presente e futuro do município é que se retoma o debate de criação de uma Área de Proteção Ambiental (APA) na microbacia. De acordo com Jean Carlos, gestor ambiental e membro da Campanha Pelas Águas e Contra o Mineroduto da Ferrous, “a APA é uma unidade de conservação que visa disciplinar o processo de ocupação em áreas estratégicas e assegurar assim, a sustentabilidade no uso dos bens naturais. Ela pode ser criada em esfera municipal, estadual ou federal.” Ainda segundo ele, a unidade de conservação também pode aumentar a arrecadação do município através do ICMS Ecológico.
            A mesa redonda tem por objetivo esclarecer o que é uma APA e quais as vantagens de sua implantação e contará com a contribuição do Professor Gumercindo Souza Lima (UFV), do Professor Rafael Bastos (UFV) e do presidente da Associação de Bairro do Paraíso Rosvaldo Ferreira. Terá inicio às 09h na Câmara Municipal de Viçosa.

A Campanha Pelas Águas e Contra o Mineroduto da Ferrous convoca toda a população viçosense a estar presente e discutir esse importante tema que é a defesa de nossas águas.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Hoje é o dia mundial contra a mineração


Ações nas redes sociais e manifestações nas ruas de algumas cidades marcarão o dia Mundial Contra a Mineração, no Brasil, nesse 22 de julho. Nas redes sociais, a partir das 15h, os lemas “Não à mina!”, “Todos às ruas para dizer basta!” e “Pela água e pela vida!” serão postados. Em Belo Horizonte, movimentos ambientais estarão, a partir das 15h, na Praça da Liberdade para um Ato contra a mineração.
A ideia é aproveitar a passagem do dia para denunciar para os impactos sociais e ambientais gerados pela indústria extrativista. O povo que vive em áreas próximas à exploração mineral já sofre falta de água por conta do uso indiscriminado do recurso pelas companhias mineradoras; ou contaminação do lençol freático por causa da química usada na lavagem do minério; ou ainda desmatamentos de áreas verdes; perseguições por parte dos donos das minas a ativistas que denunciam irregularidades trabalhistas, entre outros problemas.
O dia contra a mineração acontece no contexto da Jornada Internacional de Resistência, uma ação de repúdio, indignação e inconformismo com a mineração, que se amplia em países como: Brasil, Peru, Argentina, Uruguai, Espanha, Canadá, México, Chile, França, Equador, Venezuela entre outros. 
Outros Links:

Nota Contra o Caráter de Urgência do Novo Marco Regulatório da Mineração

domingo, 7 de julho de 2013

A "Viçosa Que Queremos" não tem mineroduto


O mês de junho foi marcado por grandes mobilizações em todo o Brasil. Jovens, trabalhadores, sindicatos e movimentos sociais foram às ruas lutar pela garantia e ampliação de direitos, pelo passe livre, redução da jornada de trabalho, pelos 10% do PIB para educação, contra o leilão dos petróleos, melhorias na saúde, democratização dos meios de comunicação, pela redução do preço da luz, combate a corrupção, entre outras.

         Em Viçosa não foi diferente, milhares de pessoas tomaram às ruas da cidade manifestando contra os principais problemas do município. Para obter conquistas, os manifestantes se articularam em assembleias e organizaram o movimento Viçosa Que Queremos. A fim de definir as principais pautas do movimento foram criados eixos temáticos, entre eles o de meio ambiente, cujo principal ponto levantado foi o problemático projeto de implantação do mineroduto da Ferrous.

         A Ferrous, empresa multinacional, projeta a construção de um mineroduto ligando Congonhas (MG) à Presidente Kennedy (ES) para escoar minério de ferro. Passando por 22 municípios, ele pretende percorrer cerca de 15 km em Viçosa. Este empreendimento é o exemplo claro do modelo de exploração mineral adotado pelo Estado brasileiro que permite o saqueio de nossas riquezas por grandes grupos privados, mantendo em grande medida a economia do país com aspectos coloniais, baseada na exportação de matérias primas.

         A chegada da empresa Ferrous na cidade gerou uma serie de conflitos, especialmente com as famílias que vão ter suas propriedades atingidas. A conduta da Ferrous com os proprietários foi extremamente truculenta, invadindo propriedades sem autorização, oferecendo valores irrisórios de indenização, negociando de forma diferenciada de acordo com a condição social dos atingidos, assediando moralmente, além de não divulgar informações corretas e qualificadas sobre as reais consequências do empreendimento.

         Se não bastasse as violações aos direitos das famílias atingidas, é extremamente preocupante o trajeto estabelecido pela empresa na passagem em Viçosa. Pois atravessa justamente as áreas de mananciais de captação de água do município, o que comprometerá substancialmente o abastecimento hídrico da cidade. Os mananciais atingidos serão o Ribeirão São Bartolomeu, Rio Turvo Sujo e Rio Turvo Limpo, neste último, o SAAE pretende futuramente construir a terceira estação de tratamento de água em Viçosa.

         É de conhecimento que os mananciais de Viçosa operam em seu limite, sendo recorrente a falta de água nas partes altas do município. Você já imaginou se o mineroduto passar por cima deles? Vale a pena o sucesso de uma empresa multinacional em detrimento do abastecimento hídrico de nossa cidade?

         Os estudos apontam que não. Uma perícia realizada pelo Ministério Público Estadual constatou falhas no estudo de impacto ambiental apresentado pela empresa Ferrous (http://pt.scribd.com/doc/103079552/Pericia-Mineroduto-Ferrous-MPMG) e, um relatório elaborado pela Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB) averiguou que diferentemente do estudo apresentado pela mineradora, serão mais de 60 nascentes atingidas no território de Viçosa (http://campanhapelasaguas.blogspot.com.br/2012/10/associacao-de-geografos-brasileiros-agb.html). Além disso, o SAAE e a Divisão de Água e Esgoto da UFV já se posicionaram contrários à passagem do mineroduto.

         Diante disso, Viçosa precisa fazer uma escolha: ou opta pelo mineroduto ou pelo abastecimento de água. A sociedade civil organizada na Campanha Pelas Águas e no Viçosa Que Queremos já fez a sua escolha.

Portanto, para que prevaleça os interesses da coletividade e a segurança hídrica do município, se faz necessário o posicionamento da Prefeitura Municipal de Viçosa e Reitoria da UFV contra a passagem do mineroduto, assim como a implantação da Área de Proteção Ambiental (APA) do São Bartolomeu.  

 

Nota Contra o Caráter de Urgência do Novo Marco Regulatório da Mineração

Desde 2009 o governo federal vem discutindo, internamente e com as empresas do setor, uma proposta de novo marco legal para a mineração no país, que deve  substituir a legislação atual, de 1967. Durante todo o processo de debates a proposta foi mantida em sigilo; depois de muita pressão, as organizações sociais conseguiram uma reunião com a Casa Civil para apresentar suas propostas, mas todas as sugestões foram simplesmente ignoradas pelo governo.

No dia 18 de junho, quando as ruas do país estavam sendo tomadas pelas manifestações, o Planalto enviou a proposta ao Congresso Nacional, em regime de urgência constitucional, que obriga que cada uma das casas legislativas tenha apenas 45 dias para debater e votar a proposta.

Não é razoável que um tema dessa relevância, que tem influências de diversos tipos sobre o conjunto da sociedade brasileira, seja debatido e aprovado em prazo tão exíguo, sem que a sociedade tenha chance de apresentar suas críticas, considerações e sugestões de melhoria. É impossível que em apenas 45 dias os deputados ou senadores tenham tempo de fazer uma análise com a profundidade que o assunto merece. O mais provável é que, a prevalecer esse prazo, o texto venha a ser aprovado com alterações cosméticas, ou então patrocinadas pelas empresas que já debatem o assunto há anos. Nesse caso, assuntos como o direito das populações impactadas pelas atividades minerárias, por exemplo, simplesmente não entrariam no texto, já que a proposta do Planalto sequer cita o tema. É preciso construir um debate público e cidadão sobre o tema.

Em um momento no qual as ruas lutam para serem ouvidas e denunciam a distância com que os poderes constituídos tratam as demandas populares, perguntamos: qual é a urgência em se alterar uma legislação de 1967? Porque o Poder Executivo teve 4 anos para debater a proposta e agora quer que o conjunto da sociedade a debata em 90 dias? A pressa para tratar do uso de bens naturais não renováveis nos parece perversa. Necessitamos de debate público! Pela retirada do regime de urgência para o Código da Mineração.
Assinam a nota:
4 Cantos do Mundo (MG)
ADEA Ibaiti
Articulação Antinuclear Brasileira
Articulação dos Atingidos pela Mineração do Norte de Minas (MG)
Articulação dos Povos Indígenas do Brasil – APIB
Associação Alternativa Terrazul
Associação Brasileira de Reforma Agrária
Associação de Defesa do Meio Ambiente de Araucária – AMAR
Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida – APREMAVI (SC)
Associação de Proteção ao Meio Ambiente - APROMAC
Associação de Saúde Ambiental – TOXISPHERA
Associação do Patrimônio Histórico, Artístico e Ambiental de Belo Vale - APHAA-BV  (MG)
Associação Para a Recuperação e Conservação Ambiental - ARCA AMASERRA (MG)
Associação para Gestão Socioambiental do Triângulo Mineiro – ANGÁ  (MG)
Associação PRIMO - Primatas da Montanha (MG)
Brasil Pelas Florestas
Campanha contra o Mineroduto da Ferrous (MG)
Cáritas Diocesana de Sobral  (CE)
Centro de Estudos e Defesa Ambiental de Morretes
CEPASP (PA)
Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa de Minas Gerais
Comissão Pastoral da Terra – CPT
Conlutas
Conselho Indigenista Missionário – CIMI
Conselho Pastoral dos Pescadores
Consulta Popular
Coordenação Nacional das Comunidades Quilombolas – CONAQ
FADA Força Ação e Defesa Ambiental
Fase
FBOMS
Fórum Carajás
Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Ambiental
Fórum Paraná - Fórum do Movimento Ambientalista do Paraná
Frente de Luta pelos Direitos Humanos
Fundação ANIMPA Brasil
Fundação Esquel (DF)
Greenpeace
Grupo de Estudos: Desenvolvimento, Modernidade e Meio Ambiente da UFMA - GEDMMA
Grupo de Trabalho Amazônico (GTA)
Grupo Pesquisador em Educação Ambiental, Comunicação e Arte - GPEA/UFMT
Henfil - Educação e Sustentabilidade (SP)
Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas - IBASE
Instituto Caracol - iC
Instituto Cidades Sustentáveis - ICS
Instituto de Estudos Socioeconômicos – INESC
Instituto de Políticas Alternativas para o Cone Sul – PACS
Instituto de Proteção Ambiental de Cascavel
Instituto ORGANOS Paraná
Instituto Redecriar (SP)
Instituto Socioambiental - ISA
Justiça Global
Justiça nos Trilhos
Juventude Atingida pela Mineração (PA e MA)
Juventude Franciscana do Brasil – JUFRA
Levante Popular da Juventude
MAE Movimento de Ação Ecológica
Marcha Mundial de Mulheres
Mater Nature - Instituto de Estudos Ambientais (PR)
Movimento Artístico, Cultural e Ambiental de Caeté - MACACA (MG)
Movimento dos Atingidos por Barragens - MAB
Movimento dos Pequenos Agricultores - MPA
Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Sem Terra - MST
Movimento Nacional pela Soberania Popular frente à Mineração - MAM
Movimento Paulo Jackson - Ética, Justiça e Cidadania
Movimento pela Preservação da Serra do Gandarela (MG)
Movimento pelas Serras e Águas de Minas – MovSAM (MG)
Movimento Xô Mineradoras
Nos Ambiente
Observatório Metropolitano Ambiental de Curitiba
Observatórios de Controle Social do 3º Setor
ONG Bandeira Verde
ONG Campos Gerais
OSCIP Guarany
Pastorais Sociais / CNBB
Pastoral da Juventude Rural (GO)
Pedra no Sapato
Rede Axé Dudu
Rede Brasileira de Ecossocialistas
Rede Brasileira de Justiça Ambiental
Rede Causa Comum
Rede Cearense de Juventude pelo Meio Ambiente – RECEJUMA
Rede Mato-Grossense de Educação Ambiental - REMTEA
Rede Sustentabilidade
Serviço Interfranciscano de Ecologia e Solidariedade – SINFRAJUPE
Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Canaã dos Carajás (PA)
Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Porteirinha (MG)
Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Simonésia (MG)
Sindicato Metabase Inconfidentes (MG)
Sindicato Unificado da Orla Portuária - SUPORT (ES)
Sindiquimica (PR)
Sociedade Brasileira de Sustentabilidade SBS
SOS Serra da Piedade (MG)
SOSMAR
VIVAT International
Dep. Estadual Durval Ângelo – PT-MG
Dep. Federal Alfredo Sirkis – PV – RJ
Dep. Federal Chico Alencar – PSOL-RJ
Dep. Federal Domingos Dutra – PT – MA
Dep. Federal Ivan Valente – PSOL – SP
Dep. Federal Jean Wyllys – PSOL - RJ
Dep. Federal Padre João – PT-MG
Dep. Federal Ricardo Tripoli – PSDB – SP
Dep. Federal Walter Feldmann – PSDB – SP 
Partido Socialismo e Liberdade - PSOL