quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

E aí Governador, é Água ou Mineroduto?


Luiz Paulo Guimarães de Siqueira*
29/01/2015

Minas Gerais enfrenta talvez a pior crise hídrica de sua história. Em pleno janeiro, período normalmente chuvoso e com abundância de água, o estado registra que cerca de 140 municípios já adotaram medidas de restrição e limitação no fornecimento de água.

Sem dúvida, esta situação não surge fortuitamente, mas sim, reflexo de uma longa trajetória de ausência de planejamento público por parte do Estado e, também, fruto de gestões marcadas por deixar Minas, literalmente, em choque.

A grave situação de falta d’água está mais intensa na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Se, por um lado, se constitui como a região de maior adensamento populacional, por outro, a RMBH juntamente com o Colar Metropolitano se configuram como a região de maior intensidade das atividades minerárias no estado.

De acordo com o 2º Relatório de Gestão e Situação dos Recursos Hídricos de Minas Gerais, publicado pelo IGAM em janeiro de 2015, a mineração foi o quinto setor que mais obteve outorgas para uso de água em 2013. Mas, somente analisar o número de usos outorgados podem nos levar a uma interpretação equivocada sobre quem são os atores que mais consomem água em MG. Pois não podemos deixar de levar em conta que há uma significativa diferença entre o volume de água outorgado para atender o consumo humano, por exemplo,do que o volume utilizado para atender a exploração mineral.

Neste contexto, chama a atenção, a petulância das grandes corporações da mineração de optarem pela utilização de minerodutos para exportar nossos minérios. Para quem não conhece, minerodutos são grandes tubulações que transportam minério diluído em volumosas quantidades de água, formando uma polpa de minério, semelhante à borra de café, sabe?

Como o minério precisa ser diluído e bombeado por água, os minerodutos precisam manter a pressão para conduzir o minério. E é por isso, que para além do alto consumo de água para a formação da polpa do minério, os minerodutos inerentemente causam diversos impactos ambientais. Pois para manter a pressão do bombeamento, os dutos têm de desviar dos morros, percorrendo dessa maneira os vales, que são as regiões onde estão concentrados os cursos d’água, brejos, nascentes, as melhores áreas de plantio e moradia.

Em Minas, há hoje diversos minerodutos de pequeno porte, como o caso do projeto da MMX em São Joaquim de Bicas, que provocou grandes transtornos na região destruindo nascentes e prejudicando produtores rurais e o abastecimento de água. Mas há, também, minerodutos de grande porte, que levam os minérios da mina até o litoral, onde são exportados através dos portos. No caso dos grandes minerodutos, o estado conta atualmente com 8 projetos, 4 já em operação e mais 4 que pleiteiam as licenças ambientais. Sobre estes, vamos tentar entender como funcionam e o quanto de água estão tirando dos mineiros.

A Vale/Samarco possuem 3 minerodutos ligando a Mina Alegria, em Mariana, até o porto de Ubú no Espirito Santo. Depois de anos destruindo os mananciais de Mariana e Ouro Preto, essas mineradoras não tiveram alternativa a não ser captar água instalando uma adutora para utilizar 82% do potencial hídrico do Rio Conceição no distrito de Brumal, em Santa Bárbara. Moradores da região alegam que na época de estiagem o rio termina, literalmente, no ponto de captação para o duto. São utilizados para a funcionamento dos 3 minerodutos cerca de 4.400m³/hora. Não se pode esquecer que em 2010, um dos minerodutos da Samarco/Vale rompeu no município de Espera Feliz causando um grande desastre ambiental jorrando lamas de minérios, inviabilizando o abastecimento público da cidade e ocasionando a mortandade de toda biodiversidade afetada.

A multinacional Anglo American se orgulha em dizer que é dona do maior mineroduto do mundo. Com cerca de 525 km, o projeto Minas-Rio parte de Conceição do Mato Dentro até o Porto de Açu em São João da Barra (RJ). A mineradora capta 2.500m³/hora da região e desde sua chegada tem causado grandes transtornos e prejuízos às comunidades no entorno. Tem o orgulho de dizer que o processo de licenciamento ambiental do projeto possui 364 condicionantes e que, diga-se de passagem, sem quase nenhum cumprimento. Ao iniciar a operação do mineroduto em 2014, foram visíveis as consequências no ambiente, com drásticos assoreamentos dos córregos, mortandade de peixes, de gado e a inviabilização do uso social da água na região.

A Ferrous Resources, empresa de capital estritamente estrangeiro, pleiteia a instalação de um mineroduto partindo de Congonhas até um porto em Presidente Kennedy (ES). Inicialmente, seu projeto era de partir de Brumadinho, através da exploração da Serra da Moeda, também conhecida como Monumento Natural Mãe D’água, mas graças à forte resistência das comunidades quilombolas e do Abraço da Serra da Moeda a mineradora foi obrigada a ajustar seu projeto. A Ferrous, que em seu projeto alega a intenção de possuir dois dutos, vai captar 3.400m³/hora do Rio Paraopeba, manancial fundamental para o abastecimento da RMBH. Em seu processo de negociação com as famílias atingidas a mineradora possui um legado de sistemáticas violações de direitos humanos, sendo alvo, por exemplo, de representações do Ministério Público Federal. Além disso, o mineroduto ameaça a segurança hídrica de milhares de comunidades rurais e cidades inteiras como é o caso de Viçosa e Conselheiro Lafaiete. As prefeituras de Paula Cândido e Viçosa, assim como as Câmaras Municipais, estão empenhadas para impedir o retrocesso que representa a passagem do mineroduto na região, ajuizando inclusive ações judiciais contra a mineradora.

A Manabi, que pretende instalar uma mega-mina em Morro do Pilar, também pleiteia a instalação de um mineroduto para transportar o minério de ferro. Marcado por grandes tensões, o processo de licenciamento ambiental do empreendimento tem sido feito na marra, causando muita polêmica. Entre os vários motivos destacam-se a iminência de destruição de fragmentos de mata atlântica primária, a negligência da existência de comunidades tradicionais e destruição de trechos do patrimônio histórico e cultural da Estrada Real. A Manabi pretende captar cerca de 2.850m³/hora, degradando ainda mais a bacia do Rio Santo Antônio já tão afetada por grandes empreendimentos. Em 2014, a Prefeitura de Açucena revogou as autorizações concedidas à mineradora após a compreensão que somente destruições o empreendimento deixaria à cidade.

O povo do semiárido mineiro parecia a salvo destes tipos de empreendimentos, pois a região apresenta sérias dificuldades de acesso à água e se já não bastasse a árdua luta dos geraizeiros e comunidades tradicionais contra as eucalipteiras que, sem nenhum pudor, tratam de grilar grandes terras no Vale do Jequitinhonha e Norte de Minas. Mas as mineradoras não ligam muito para a dificuldade de abastecimento do povo não. A Sul Americana Metais (SAM), do grupo Votorantim, pretende explorar 25 milhões de toneladas de minério de ferro por ano no município de Grão Mogol. E por incrível que pareça, a ousadia da mineradora não tem limites, pretende escoar o minério através de um mineroduto. Serão captados da região 6.200m³/hora para viabilizar o empreendimento. Lamentavelmente, o IBAMA é condescendente com esse crime e tem conduzido de forma arbitrária o licenciamento chegando a marcar audiências para fevereiro de 2015, em um gesto de que planeja licenciar o mineroduto às pressas. O Ministério Púbico Estadual e laudos de pesquisadores da UFMG e UNIMONTES denunciam o não reconhecimento de comunidades tradicionais no processo e a inviabilidade de se instalar um empreendimento desta natureza em um local onde, simplesmente, não há água.

Se somarmos os volumes de água utilizados por estes projetos chegaremos ao escandaloso valor de 19,350m³/hora. De acordo com o diagnóstico dos Serviços de Água e Esgoto do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, do Ministério das Cidades, o consumo médio per capita de água, em Minas Gerais, é de 159 litros por dia. Ou seja, o valor consumido por estes projetos minerários equivale ao abastecimento de cerca de 2,900 milhões de mineiros ou, o suficiente para atender a demanda de quase 50% da RMBH.

Quando se pergunta às mineradoras do por que de se optar pelo transporte via minerodutos, a resposta, obviamente, é meramente e exclusivamente econômica. Segundo dados das próprias empresas, o custo operacional para se transportar minério de ferro via ferrovia é, em média, de 18,00 US$/ton, já por minerodutos, a média é de 2,00 US$/ton. Ou seja, a implantação de minerodutos nada mais é que uma estratégia de maximizar o lucro dos acionistas destas grandes corporações. Quem ficar sem água no caminho que se vire...

Os minerodutos possuem algo em comum. Além de todos os projetos possuírem inquéritos instaurados no Ministério Público, ambos estão sendo licenciados pelo IBAMA, mas contaram e ainda tem contado até o momento com o apoio do Governo do Estado. Uma das características do choque de gestão foi utilizar todo o aparato da máquina pública para beneficiar, à revelia da legislação ambiental, os empreendimentos minerários privados. Os Governos do PSDB (Aécio Neves 2003 – 2010 e Antônio Anastasia 2011 – 2014) assinaram decretos que declaram de utilidade pública as implantações dos minerodutos para fins de desapropriação e, ainda, colocam a serviço das mineradoras a empresa estatal CODEMIG para realizar o serviço sujo. Os decretos, assim como a emissão das outorgas para uso de água emitido pelo IGAM, foram assinados antes mesmo da concretização dos processos de licenciamento ambiental, ou seja, sem saber se há a viabilidade ambiental e técnica dos empreendimentos, o Estado tratou de reconhecê-los como fatos consumados.

Ao longo de dois anos, a Comissão Extraordinária das Águas da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) realizou um importante e valioso trabalho sobre a questão hídrica no estado. Em seu relatório e a partir das audiências públicas realizadas, ficou nítido a compreensão e o posicionamento categórico da Comissão em relação aos minerodutos, pois estes representam graves retrocessos na politica estadual de recursos hídricos e devem ser contundentemente impedidos.

Com a demarcação das áreas denominadas “faixa de servidão para mineroduto”, milhares de pessoas estão com sua soberania ameaçada e seus projetos de vida em risco. Em todas as regiões do estado onde estas mineradoras projetam a implantação destes empreendimentos têm encontrado forte contestação e resistência popular. O que é natural, visto que as comunidades não são envolvidas nos processos de escolha e não possuem o menor controle sob suas riquezas minerais. O atual modelo de mineração adotado pelo Estado Brasileiro não tem nada a oferecer ao Brasil, a não ser um rastro de miséria e destruição social e ambiental ao povo brasileiro.
  
Governador Fernando Pimentel, o senhor foi eleito sob o lema “ouvir para governar”, e muitos dos que estão sofrendo com as mazelas da mineração em Minas creditaram e acreditaram neste lema ajudando a eleger este novo Governo. O povo mineiro já fez a sua opção, não quer assistir às suas águas, casas, nascentes, plantações, culturas, memórias, suor, comunidades e minérios entrando pelo cano; queremos sim, o quanto antes, nos livrarmos destes projetos que nada tem a nos oferecer e empenharmos conjuntamente para garantir a segurança hídrica do estado e isto, significa, definitivamente, enterrarmos de vez esta infeliz ideia de mineroduto.


*Membro da Coordenação da Campanha Pelas e Contra o Mineroduto da Ferrous e militante do Movimento Pela Soberania Popular Frente à Mineração (MAM)



segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

PREFEITURA DE PAULA CÂNDIDO ENTRA NA LUTA CONTRA O MINERODUTO

Nesta última quarta feira (03) aconteceu em Paula Cândido (MG) o “Ato Popular em Defesa das Águas, da Terra e da Nossa Gente, Contra o Mineroduto da Ferrous”, que reuniu cerca de 150 participantes das comunidades rurais e urbanas e representantes dos municípios de Viçosa, Coimbra, Ervália e Presidente Bernardes.


Com gritos de ordem, manifestantes mandavam a Ferrous para longe

A intenção do ato foi denunciar as violações de direitos sofridas pelas comunidades atingidas e os profundos danos sociais e ambientais que o mineroduto da Ferrous poderá trazer à região, além de pressionar e garantir a oficialização do decreto assinado pela Prefeitura que revoga todos os atos administrativos concedidos à mineradora. A autorização do poder executivo ao mineroduto é um dos pré-requisitos para a obtenção da licença ambiental, e com o ato de revogação o processo de licenciamento pode ser anulado pelo IBAMA.

Os manifestantes se concentraram ao final da tarde em frente à Praça da Igreja Matriz e seguiram em uma grande marcha até a Câmara Municipal. O trajeto foi percorrido com muita animação, ao som de bateria, músicas, faixas, cartazes, gritos de ordem e falas dos atingidos expondo os descontentamentos com o empreendimento.  Como símbolo da luta pelas águas, os manifestantes estenderam uma grande onda azul, chamando a atenção de todos que passavam pelo local.

A onda azul tomou conta da cidade

Segundo Juliana Stelzer, coordenadora da Campanha Pelas Águas e Contra o Mineroduto da Ferrous, “essas mineradoras multinacionais, como a Ferrous, só estão interessadas em seus lucros! Saqueiam nossos minérios, nossas águas sem se preocupar com as comunidades, nem com a destruição ambiental!”. Ela também chamou a atenção para o momento de seca pelo qual Minas Gerais está passando, “não podemos brincar com a água! Cerca de 200 municípios decretaram estado de emergência por falta de água e ao mesmo tempo há oito projetos de minerodutos em tramitação no estado. A água que deveria suprir a demanda dos mineiros está sendo levada pelo cano junto com os nossos minérios pelas empresas estrangeiras”, exclamou.

Representantes das comunidades atingidas expuseram os sofrimentos e angústias que estão passando, com a possibilidade de terem que deixar suas terras e ver o lugar onde sempre viveram ser destruído. Moradores da cidade também se manifestaram, colocando os danos sociais para o município como um todo. O grupo de Congado de Airões, comunidade diretamente atingida, esteve presente e trouxe para a manifestação elementos da cultura popular local. E foi ao som do Congado que os manifestantes ocuparam a câmara municipal.

O presidente da Câmara, Everaldo da Conceição, abriu a sessão solene contextualizando o posicionamento assumido pela Câmara e Prefeitura e convidou para compor à mesa os vereadores da casa, bem como o prefeito Marcelo Rodrigues da Silva, o vereador de Viçosa e presidente da Comissão Parlamentar de Enfrentamento ao Mineroduto, Idelmino Ronivon, Rosilene Pires e Dona Carmelita, ambas membros da Campanha Pelas Águas e Contra o Mineroduto da Ferrous.

Mesa composta e plenária lotada pelos manifestantes
O vereador Idelmino parabenizou a postura da prefeitura e do legislativo e reforçou a importância do município de Paula Cândido se unir à Viçosa na luta contra a construção do mineroduto. “Precisamos unir, somar forças políticas e apoiar a população contra o mineroduto e a favor da preservação das nossas águas”. Ele sugeriu que se crie no município uma Comissão Parlamentar de Enfrentamento ao Mineroduto, a exemplo de Viçosa, e reafirmou que “o próximo passo é articular com os Legislativos dos outros municípios da região, para que o enfrentamento à empresa seja de caráter regional”.

Rosilene Pires fez um breve histórico da luta contra o mineroduto e destacou a importância do ato público em defesa da nossa água, nossa terra, nossa gente. “Esse mineroduto é uma tragédia anunciada. Basta olharmos a construção desse tipo de empreendimento em outras cidades de Minas Gerais, afetando as nascentes, aterrando córregos, ocasionado inchaço nas cidades, êxodo rural e invasão das áreas boas para o cultivo. Paula Cândido é um município agrícola, as famílias tiram o seu sustento do solo. Não queremos esse empreendimento em nosso município”, declarou. Ela salientou que “este ato é um marco histórico na cidade, e mostra a força da organização popular, pois só assim, unidos e organizados, poderemos derrotar este projeto”.
Dona Carmelita expôs como a empresa desrespeita os atingidos: “Eles chegam invadindo, desrespeitam os idosos e deixam as famílias angustiadas. O mineroduto não é um problema só meu, é um problema de todos nós, devemos nos unir e lutar contra esse mineroduto! Eu fui nascida naquele lugar, crescida ali e quero morrer naquele lugar!”.
Decreto de revogação e moção de repúdio ao mineroduto assinados pelas autoridades
O Prefeito de Paula Cândido, Marcelo Rodrigues, manifestou o seu apoio incondicional ao movimento da Campanha pelas Águas e Contra o Mineroduto, afirmando que, “o mineroduto não trará nenhum benefício para Paula Cândido! Não queremos isso para o nosso município. A decisão está tomada e lutarei até o fim para evitar essa tragédia!”.
Ao final das exposições, o prefeito assinou o decreto revogando todos os atos administrativos concedidos à mineradora Ferrous e a Câmara Municipal protocolou uma moção de repudio à passagem do mineroduto no município. Também participaram do ato o Secretário de Governo de Paula Cândido, José Vicente Sousa, e os vereadores de Viçosa, Marcos Nunes e Paulo Roberto Cabral.


População manda a mineradora Ferrous ir embora de Paula Cândido
A criançada esteve presente e agitou a onda azul

Manifestantes ocupam a Câmara Municipal com cartazes e gritos de ordem

Dona Carmelita, atingida pelo mineroduto, conta os abusos da mineradora

Concentração para o ato na praça da Igreja Matriz

Congado de Airões canta contra o mineroduto. É a cultura popular ameaçada por este empreendimento!

 Intervenção no encerramento do ato: o povo não aceita a água suja e as falácias da empresa e expulsa a Ferrous!


terça-feira, 25 de novembro de 2014

Prefeitura e vereadores de Paula Cândido afirmam compromisso de enfrentar mineroduto

          Em reunião realizada na Câmara Municipal de Paula Cândido, na tarde de terça-feira (25), membros da coordenação da Campanha Pelas Águas solicitaram a revogação da anuência concedida à Ferrous para construção do mineroduto na cidade.

    Rosilene Pires, membro da coordenação da Campanha, abriu a reunião contextualizando como foi a chegada da mineradora na cidade. “A Ferrous chegou em Paula Cândido afirmando que o mineroduto ia passar de qualquer maneira, independente de nossa vontade, apresentava o decreto de utilidade pública do Governo de Minas e alegava que se não aceitássemos a indenização imposta nós poderíamos nem receber nada! O mineroduto vai destruir várias plantações, cisternas, nascentes, brejos, córregos e moradias, somente na comunidade de Morro do Jacá serão 15 casas destruídas! Para onde essas famílias irão?” indaga Pires que terá sua casa afetada pelo empreendimento.

    O secretário de governo, Vicente Sousa, afirmou que a Prefeitura vai somar nesta luta e revogar os atos administrativos concedido à Ferrous. “Não percebemos nada de bom que este empreendimento possa trazer à nossa cidade, pelo contrário, estamos percebendo agora com as movimentações das comunidades o quão prejudicial será o mineroduto ao nosso município. Participei do seminário realizado pela UFV na semana passada e não podemos deixar isso acontecer em nossa região. Por isso, afirmo o compromisso juntamente com o apoio dos vereadores de revogarmos qualquer autorização que tenha sido concedida à Ferrous e vamos entrar nesta luta em defesa das águas, da terra e o fortalecimento de nossas comunidades rurais” afirmou o Vicente.

     Um ato público ficou marcado para o dia 3 de dezembro, na Câmara Municipal de Paula Cândido, para a oficialização da revogação dos atos administrativos concedidos à mineradora. Participaram também da reunião os vereadores Everaldo da Conceição, Aguinaldo Almeida, Matheus Magalhães, Luciano de Oliveira e os coordenadores da Campanha Pelas Águas Juliana Stelzer e Luiz Paulo Guimarães.  

Secretário de governo, vereadores e membros da Campanha somando esforços contra a Ferrous
        

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Prefeito de Viçosa oficializa revogação de passagem do mineroduto

Ontem o Prefeito Ângelo Chequer assinou publicamente, durante a reunião da Câmara, o decreto que revoga todos os atos administrativos do executivo que possivelmente tenham autorizado a implantação do mineroduto da Ferrous no município.

Na foto está o Prefeito, os vereadores membros da Comissão de Enfrentamento do Mineroduto da Câmara e representantes da Campanha pelas Águas e contra o Mineroduto.

Vitória do Povo Brasileiro! 

Agora é sumir de vez com essa ideia de mineroduto!

Pelas Águas!
Fora Ferrous!
Contra o Saqueio de nossas águas e minérios!


Momento de assinatura do decreto de revogação

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Prefeito de Viçosa assume compromisso de enfrentar mineroduto

Prefeito recebe Campanha Pelas Águas e assume compromisso de enfrentar mineroduto
A Comissão Parlamentar de Enfrentamento à Construção do Mineroduto da Câmara, presidida pelo Vereador Idelmino Ronivon (PC do B) promoveu uma reunião entre o Executivo, SAAE, Conselhos Municipais de Defesa do Meio Ambiente (CODEMA) e de Desenvolvimento Rural (CMDRS), e representantes da Campanha pelas Águas e contra o Mineroduto, para tratar da possível instalação do mineroduto da Ferrous no município, na última quarta-feira (12).
O Presidente da Comissão agradeceu a presença do Prefeito. “Esta é a primeira vez em que o Poder Executivo se faz presente na discussão.” Idelmino relatou que o futuro do abastecimento de água da cidade poderá ser prejudicado pela passagem do mineroduto, “trata-se de uma questão envolvendo a empresa multinacional Ferrous, responsável por um grande investimento que atinge o município de Viçosa e diversos outros”, pontuou.
Em seguida, o representante da Campanha pelas Águas e contra o Mineroduto, Luiz Paulo Guimarães esclareceu a natureza do empreendimento e a dimensão dos impactos ambientais para o Município, inclusive para as comunidades rurais. Ele ressaltou que, segundo o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) apresentado pela Ferrous, as águas do São Bartolomeu não serviriam para consumo humano e, ainda, que seriam atingidas seis nascentes na região. “No entanto, apenas na Bacia do São Bartolomeu, trinta nascentes poderão ser atingidas pelo mineroduto.”
O representante do CODEMA, Francisco Machado salientou que o problema não é o mineroduto em si, mas a sua localização. Ele ainda observou que se trata de uma obra federal que não depende do município de Viçosa, visto que o licenciamento é feito pelo IBAMA. “A solução, então, seria postular perante o Poder Judiciário. De toda forma, caso a obra venha a ser realizada, é preciso pensar em planos alternativos que diminuam, ao máximo possível, os danos causados à Bacia do São Bartolomeu e aos municípios.”
Idelmino lembrou que a gestão municipal anterior posicionava-se favoravelmente ao empreendimento, apesar dos impactos. O Prefeito Ângelo afirmou que apoiará o enfrentamento ao mineroduto, “inclusive judicialmente, se necessário for”.
O Prefeito ainda se disponibilizou para o encontro com os gestores dos demais municípios afetados na região. Os Vereadores, membros da Comissão da Casa, Idelmino, Alexandre Valente (PSD) e Paulo Roberto Cabral (Paulinho Brasília-PPS) ressaltaram a importância de unificar o debate regional, “porque a luta não é local”.
O Secretário de Governo, Luciano Piovesan salientou que foi feita uma busca em todos os setores na Prefeitura, no entanto foi constatado não haver qualquer documento relativo ao empreendimento.
Ainda assim, assessorado pela Procuradoria do Município, Ângelo Chequer comprometeu-se a assinar o decreto que revogue os efeitos de quaisquer documentos que tenham sido emitidos pela Prefeitura a favor da obra do mineroduto.
Também foi levado a conhecimento da Comissão da Câmara que a Ferrous já iniciou as propostas de indenização aos proprietários atingidos pelo mineroduto, variando o valor conforme o perfil de cada um.
O Vereador Idelmino convidou o Executivo para comparecer à reunião que acontecerá na próxima terça-feira, dia 18 de novembro, em conjunto com a Comissão da Universidade Federal de Viçosa. Por fim, os Vereadores propuseram-se a convidar outras Câmaras a participar dos trabalhos, em busca de um debate mais plural.
Além dos já citados, participaram da reunião o Presidente do CMDRS, Antônio Ferreira Pontes; o engenheiro do SAAE, Sânzio Borges; a representante do DEMA, Juliana Sampaio; o representante da Campanha pelas Águas e contra o Mineroduto, Lucas Reis Bittencourt; e o Professor Emerich Michel de Sousa, atingido pela construção do Mineroduto

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Campanha Pelas Águas realiza intervenção na Câmara Municipal de Viçosa

Com manifestantes da Campanha pelas Águas e contra o Mineroduto no Plenário, o representante da campanha, Luiz Paulo Guimarães reforçou os impactos da implantação do mineroduto da Ferrous no município, na tribuna livre da reunião ordinária da terça-feira (11).
Militante tomaram o plenário em defesa dos direitos do povo brasileiro
“O mineroduto já é uma tragédia anunciada, é só analisar as consequências dos impactos em outras cidades que já tiveram a sua implantação, não só no que tange a abastecimento de água”, ressaltou Luiz Paulo.
Ele pontuou: “Como o mineroduto chegará por Paula Cândido, ele afetará a bacia do Rio Turvo Limpo, onde o SAAE planeja captar água para a ETA III, ou seja, vai afetar as águas, nascentes, brejos, aterrar córregos, o que já irá prejudicar o planejamento de captação de água na região. O Ribeirão São Bartolomeu será drasticamente atingindo, e o Turvo Sujo que abastece a ETA II será drasticamente prejudicado no município de Coimbra”.
Segundo Luiz, a Ferrous ainda “toma age com uma conduta truculenta e negociação injusta. Quando vai negociar com agricultores é de uma forma, com professores universitários são outros”.
O manifestante comentou a crise de água que a cidade tem passado. “É uma situação alarmante, que pode piorar. O clamor da população de Viçosa é nítido, o povo não quer passar por esse enfrentamento de falta de água novamente e isso irá afetar drasticamente o abastecimento da nossa cidade.”
Para finalizar, ele solicitou um posicionamento da Universidade Federal de Viçosa e da Prefeitura. “As comunidade atingidas, a Câmara, o SAAE e os Conselhos Municipais de Defesa do Meio Ambiente (CODEMA) e de Desenvolvimento Rural (CMDRS) já disseram não ao mineroduto. Está na hora da UFV e da Prefeitura se somar a esta luta. Que o Prefeito revogue a anuência para as ações da Ferrous.”
O Presidente da Comissão Parlamentar de enfrentamento ao mineroduto, Vereador Idelmino Ronivon (PC do B) reforçou o apoio à manifestação e comentou que na tarde da quarta-feira (12), acontecerá uma reunião com o Prefeito, SAAE e representantes da Campanha pelas Águas. “Queremos que essa questão seja tratada com responsabilidade e queremos um posicionamento do Executivo com relação ao mineroduto.” 

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural Sustentável de Viçosa (CMDRS) soma esforços contra passagem de mineroduto

                Em reunião ordinária na última segunda-feira (03), o Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural Sustentável (CMDRS) debateu os impactos do mineroduto da Ferrous em Viçosa.

                A discussão foi inserida na pauta a partir da demanda da comunidade de Juquinha de Paula, que apresentou preocupações com a passagem do mineroduto na região. O empreendimento impactará várias propriedades na comunidade, atingindo casas, benfeitorias, plantações e ainda regiões de brejos e nascentes. O representante da comunidade no CMDRS, Sr. Cícero, alertou que os impactos do mineroduto irão prejudicar os terrenos produtivos e ainda prejudica o ponto de captação de água do SAAE para a ETA 3. “Sabemos que o SAAE possui planos para captar água do Rio Turvo Limpo, próximo à região de Maynart, mas o grande problema que estamos percebendo é que o mineroduto também atinge nascentes, brejos, córregos e até atravessa o rio. É um contrassenso! Já está faltando água, as nascentes estão secando e várias cisternas também estão ficando sem água, e ainda querem passar um mineroduto por aqui? Isso é loucura, é injustiça!” exclamou o conselheiro.

                A coordenação da Campanha Pelas Águas foi convidada a participar da reunião e contribuiu com as discussões do conselho. Para Juliana Stelzer, da coordenação da Campanha, a discussão foi muito rica e demonstra o amadurecimento político do CMDRS. “É extremamente importante a reivindicação da população neste processo. Infelizmente, o processo de licenciamento ambiental do mineroduto não permitiu a participação popular, muito menos a possibilidade de decisão sobre a viabilidade e vontade sobre o projeto, simplesmente ele está sendo enfiado “goela abaixo” em detrimento dos direitos das comunidades e colocando em risco a segurança hídrica da região. Agora, é fundamental somarmos esforços para que a prefeitura e UFV se comprometam com o povo viçosense e impeçam este mineroduto em Viçosa!” reforçou a coordenadora da Campanha.


                Após a discussão sobre os impactos do mineroduto, o CMDRS aprovou por unanimidade o posicionamento contrário à passagem do mineroduto em Viçosa. Ao final, foi encaminhado que um documento oficializando o posicionamento do Conselho será redigido e enviado às entidades que participam do CMDRS, à Prefeitura, à UFV e ao Conselho Estadual de Desenvolvimento Rural Sustentável. Um esforço salientado pelos conselheiros foi o de estimular que os conselhos municipais das cidades vizinhas também realizem esta discussão, visto que, o empreendimento representa um retrocesso àqueles que cultivam e vivem da terra.

Momento de votação sobre o posicionamento do conselho